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Direito do Trabalho

Lei de Trabalho por App no Brasil 2025: Novas regras para entregadores e motoristas

Rafael Reis Pereira
15 Nov 2025
8 min de leitura

Direito do Trabalho

Artigo jurídico especializado

A Lei 14.442/2022, conhecida como a "Lei do Gig", trouxe importantes mudanças para o trabalho por aplicativo no Brasil. Em 2025, essas regulamentações estão sendo aplicadas com mais rigor, impactando diretamente entregadores, motoristas de aplicativo e outras categorias de gig workers.

O que estabelece a Lei do Gig

A legislação define novas regras para plataformas digitais, estabelecendo direitos mínimos para os trabalhadores independentes:

  • Valor mínimo por entrega: R$ 6,00 por entrega realizada
  • Tempo de espera: Remuneração de R$ 0,30 por minuto de espera
  • Seguro obrigatório: Cobertura por acidentes pessoais
  • Transparência algorítmica: Direito de saber como funciona o sistema de pontuação
  • Desconexão: Direito a períodos de descanso sem penalidades

Direitos conquistados pelos gig workers

Remuneração mínima garantida

As plataformas agora são obrigadas a garantir uma remuneração mínima por entrega, evitando que o trabajador trabalhe prejuízo em entregas longas ou complexas.

Proteção por acidentes

Todas as plataformas devem oferecer seguro contra acidentes pessoais durante o trabalho, cobrendo:

  • Acidentes de trânsito durante entregas
  • Lesões durante o manuseio de mercadorias
  • Eventos inesperados no local de entrega

Transparência no algoritmo

Os trabalhadores têm direito a entender como funciona o sistema de:

  • Cálculo de pontuações
  • Atribuição de corridas/entregas
  • Aplicação de penalidades
  • Critérios para desbloqueio de faixas de trabalho

Como funciona a fiscalização

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) está fiscalizando as plataformas com base em:

  1. Auditoria de algoritmos: Verificação da transparência nos sistemas
  2. Controle de remuneração: Garantia do cumprimento dos valores mínimos
  3. Verificação de seguros: Confirmação da cobertura obrigatória
  4. Monitoramento de condições de trabalho: Avaliação do ambiente de trabalho

Principais penalidades para plataformas

As empresas que não cumprirem a lei enfrentam:

  • Multas de R$ 20 a R$ 50 mil por trabalhador afetado
  • Interdição temporária da atividade
  • Proibição de captar novos trabalhadores
  • Ação pública por dano coletivo

Como os trabalhadores podem se proteger

Documentação

Registre sempre:

  • Prints das remunerações por entrega
  • Tempo de espera em cada corrida
  • Comprovantes de seguro ativo
  • Comunicações com o suporte da plataforma

Denúncias

Em caso de descumprimento, denuncie:

  1. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
  2. Defensoria Pública ou Ministério Público
  3. Sindicatos da categoria
  4. Ouvidoria das plataformas

Impactos no mercado de trabalho

A lei está transformando o setor:

  • Formalização: Maior registro de trabalhadores
  • Redução da informalidade: Plataformas preferem operar legalmente
  • Aumento da renda: Remuneração mínima melhora ganhos
  • Melhores condições: Proteção social para os trabalhadores

Perspectivas para 2025

O fortalecimento da fiscalização está criando um ambiente mais justo para os gig workers. As plataformas estão se adaptando para oferecer melhores condições, enquanto os trabalhadores ganham mais segurança jurídica e melhores remuneração.

A Lei do Gig representa um marco na proteção dos direitos dos trabalhadores por aplicativo no Brasil, estabelecendo um novo padrão para o trabalho digital no país.